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domingo, 28 de julho de 2013

O Papa (Francisco) é pop






Eu peço a vocês que sejam revolucionários, que vão contra a corrente; sim, nisto peço que se rebelem; que se rebelem contra essa cultura do provisório que, no fundo, crê que vocês não são capazes de assumir responsabilidades, que não são capazes de amar a verdade. Eu tenho confiança em vocês, jovens, e rezo por vocês. Tenham a coragem de “ir contra a corrente”. Tenham a coragem de ser felizes!"

Papa Francisco


Definitivamente, há uma nova era no ar. Um homem da idade dele que fez uma maratona desde terça-feira, chega ao fim do dia de hoje com esse sorrisinho de garoto no rosto e ainda faz o discurso acima - que foi, juntamente com a foto, retirado daqui - só pode ser especial. Desde quando,  um legítimo representante da tradição judaico-cristã de culpa e sofrimento incita as multidões a serem revolucionárias e felizes?

Mas também, com o nome que escolheu, tinha que ser. Os "Joões" e os "Bentos" que me desculpem, mas depois daquele outro, descalço, de Assis, ficou difícil ser especial.

E só tendo nascido no Sul - com toda a carga socio-economica que existe na oposição Norte-Sul - para saber, com tanta naturalidade, carregar esse nome.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Em África, só como em África

Agora, digam lá meus meia-dúzia de três leitores, conhecem outro sítio onde os tratem como em casa e vocês estejam hospedados. Já viram funcionários de hotel sem cara de "frete"? Pois eu vi, crianças, eu vi! Se tivesse pachorra e organização, ia fazer um ranking das guest houses sulafricanas, sao mesmo o máximo.

Tinley Manor






Trata-se de uma praia ao Norte de Durban. Uma casa, um casal, um enorme cão e a sensação de que vou querer voltar. A comida sempre preparada pelo Hilton, o de avental, com a diáfana - pode não parecer muito diáfana, mas como ela quase não fazia nada e estava sempre indo ou vindo, resolvi qualificar assim - presença da Hillary, sua esposa. Dude, o cão, era muito mais participativo. E como se não bastasse, o marzão do Índico sempre à nossa vista e os mimos de recadinhos na hora de partir.

É ou não é civilização, Pit? OK, você venceu, eu tinha que dar um passinho à frente depois do recado...

... e ainda falta a outra guest house, ao sul de Durban, a ver se nao me desvio de novo...

terça-feira, 28 de agosto de 2012

A pedidos...

Pois, o Luis pergunta se não passo à beira-Tejo e a Pit me reclama à beira-Rio... Eu até estive à beira-Tejo, meu querido guardador, mas era um pouco mais rio acima. O calor era digno do Rio no verão, minha amiga, mas a comida e o ar, só lembravam mesmo o Alto Alentejo e eram a coisa mais deliciosa da minhas últimas viagens. Vejam só!
 Acima uma estradinha de cascalho que leva de Envendos à Barragem da Pracana. Não me façam cara de arregalados, eu tampouco tinha ouvido menção a semelhantes nomes. A única coisa conhecida, conhecidíssima, por sinal, é essa beleza de rio Tejo lá embaixo.
Uma rua de Nisa, terra de bordados e bom queijo
 Uma portinha de uma das Portas, restos da muralha, da cidade de Nisa, fim de tarde, sol quase a pino e a modorra natural da temperatura que só entende quem já se aventurou a caminhar por entre pedras e campos da região na estação do descanso. A velhinha na rua de cima tirava um sonoro cochilo que não foi capaz de interromper nem o eco dos nossos passos nas pedras mais que seculares.

E como é terra de bom queijo, tá aí uma das prováveis responsáveis pelo precioso leitinho que dá sabor e cor ao indispensável e "undiet" elemento.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Da realização dos desejos

Bem, eu bem queria voltar a ser aquela pesquisadora incansável, professora mais que dedicada, coordenadora atenta... bem, talvez só por uma semana, para me dedicar a todos os projetos que idealizei nas férias.

Bem, as férias, bem, as férias... estranho ser justamente nas férias em que me vem essa necessidade de ser a trabalhadora de antão... ou seria antanho... ou então, não seria... seja lá como for.

O fato é que Pemba é uma experiência existencial, assim como os Makua, os Makonde, o Georges e a Emmanuelle (abaixo, os dois dentro do Land Cruiser quarentão, principal meio de transporte),


a Susana, o El Pirata, o Saïd e todos os outros com nomes muçulmanos que nem com muito esforço eu consegui memorizar.

Mas ainda foram férias, com F maiúsculo. E, Mila e Olga, please, não soltem demais a imaginação nesse F... é F de férias, de fantástico, de fora de série, de fenomenal, de fiche oh pá, de feliz.

Os caranguejos também, é verdade. Aliás, inventamos a dança do siri moçambicano... eles devem ter respirado aliviados quando partimos, mas as tardes na beira mar nunca mais serão as mesmas, eles bem vão sentir saudade da nossa amistosa perseguição cheia de energia solar.

Aliás, Sonia vai adorar, a Flavinha vira e pergunta: Mas vocês ficavam o dia todo na praia, não faziam mais nada? Ao que eu respondo: é, na praia, até a hora do almoço, depois descansávamos na varanda,


junto com as formigas de um dos troncos que sustentava a casa, quando elas começavam a andar por cima de nós, voltávamos para a beira do mar, andar e ver se a maré estava vazando ou subindo, verifávamos se o mangal estava submerso ou à mostra, corríamos atrás dos caranguejos, sim, isso, uma das nossas atividades preferidas e, não, não havia lojas onde comprar nada, nem supermercado tem na cidade, só um mercado muito rústico, na porta das casas dos vendedores, além da cooperativa dos escultores de madeira.

A cara dela não dá para descrever, era como se eu estivesse falando do meu último passeio pelas crateras da lua, no rastro do Neil Armstrong.

Depois tinha o pôr de sol muito cedo, às 5h...

e, a seguir, a lua que ficou cheia cheia durante a semana e cor de laranja ao surgir no sábado. Jantar na ventania, que não parava de ventar, depois de 3 dias a gente já nem nota. E ir pra cama as 9h.

Sol na cara as 5h30, através do teto de macuti e da rede que cobria a cama na necessária e, às vezes, inglória, tarefa de afastar os insetos.

Abaixo, um dos caranguejos capturados num sequestro relâmpago e logo liberado por falta de caixas eletrônicos de onde obrigá-lo a sacar dinheiro. De toda forma, não acredito que fizéssemos muito com umas centenas de meticais, isso, se encontrássemos onde gastá-los.


A seguir, o Sebastian. Lembram do filme "A pequena sereia"? Pois é óbvio que eu não consegui pensar em outro nome para batizá-lo. Havia uma legião deles.



A lua e a dança do siri moçambicano vem na próxima. Já não consigo manter os olhos abertos.