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sexta-feira, 25 de abril de 2014

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Amizade em cheque... ou em choque

"No momento em que se isolam os motivos e sentimentos de um ser humano para os analisar objectivamente gera-se uma injustiça fundamental. Cada pessoa é uma harmonia de solidão, decompô-la apenas pode fazer com que a sua música se torne inaudível". Inês Pedrosa


Enviei essa frase para uma amiga há um par de anos. Estava, então, lendo um dos livros que devorei da Inês, com encadernação e edição primorosas de uma editora brasileira. Já me tinha esquecido as palavras, mas a sensaçao ou as sensações que tive quando li, não, me acometem de tempos em tempos. E agora, pareceu-me tão a propósito citá-la. Ando aqui, nesta Ibéria, tentando juntar muitos pedaços de surpresa sem conseguir montar uma entidade que possa se chamar amigo/a com tudo junto, no final.

E assim, ao reler essas frases, dei-me conta de que talvez, ou muito provavelmente, estou tentando reproduzir o processo de desglose, de isolar detalhes e impactos que obtive pouco a pouco. E assim, não lhes ouço a música interna e todo o resto me parece ruído.

Faz parte do choque e tinha que compartilhar. Quem sabe agora, de hoje em diante, volte a usar meu gira-discos antigo, aquele de onde saíam os deliciosos e inesquecíveis sons das minhas amizades de juventude. Algumas ainda permanecem, mesmo que raras.

A capa dura e a foto, o resto só palavras.

domingo, 20 de novembro de 2011

Choque digital... ou, a casa

Socorro! Há semanas ando tentando entrar em casa. Perdi a chave... melhor, tinha perdido. Distração de quem teve muitas casas e deixou de usá-las. Mas a que dava acesso a esta janela eu já a tinha esquecido há tempos e foi uma cruzada recuperar e alterar a chave.

Feito! Agora, vou voltar a postar. Entretanto, deixo um texto que me apraz sobremaneira e reencontrei no antigo email. A chuva ainda cai e em abundância, mas já não é o hemisfério sul, nem verão, nem calor... mas resto eu e as sensações do que fui e do que sou. E a casa, já é outra. A retratada e a habitada.

22.12.2006

Finalmente choveu, um pouco. Cheguei em casa, o mesmo calor opressivo. Vim da Barra pela montanha, o Alto da Boavista. Pra nós, simplesmente, o Alto. Pedaços de ruas alagados, trânsito em princípio de caos. Cheguei em casa, quase ilesa. Tive de passar por uma enorme poça, daquelas que para ultrapassar temos de meter uma primeira, acelerar e só parar quando passada a água. Isso não deve dizer nada quem me lê neste hemisfério norte, não conhecem tempestades tropicais e menos, provavelmente, as conhecem no Rio.

O Rio que tem esse nome ironicamente porque um francês achou que a baía era o delta de um rio. Esse nome que cai tão bem diante da geografia da cidade, coberta por montanhas cujos cursos d'água vão todos dar bem no meio da zona habitável que, aliás, só se tornou habitável, graças à canalização de muitos deles e se torna deshabitável, cada vez que a natureza resolve que não há água suficiente entre mar e rios e batiza a cidade a cada início e fim de verão com muita água.

A música do Tom Jobim, "águas de março" fala disso. Ou deveria.

Tá se aprontando uma tempestade. Das boas. Com direito a céu cinza escuro, muito vento e do morro, com o Cristo já encoberto, só se distingue levemente o contorno que transmutou-se de verde em quase preto.

Queria poder deixar tudo aberto e receber a tempestade de frente, camiseta e pernas de fora, com a chuva e o vento na pele. Não posso. Parece que tudo ganha vida na casa e os objetos começam a se deslocar, as cortinas levam tudo com elas, é bonito de ver, mas não me apetece ter de sair em excursão pela casa a catar tudo que se espalhou. Deixo só a janela do meu quarto aberta. Não totalmente, mas já entra um vento que é uma benção no calor de hoje.

Tá chovendo. Algumas gotinhas ínfimas me atingem, onde estou, ainda com o laptop no colo. Os vidros estão todos salpicados, com as gotas reluzindo por causa das luzes. Anoitecendo. São 8h da noite.

Sensação deliciosa essa humidade. O vento e o barulho da chuva grossa batendo na vidraça.



PS: Tentei ajustar fontes e tamanhos, o editor do blog não deixa. Lamento o visual!


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Da realização dos desejos

Bem, eu bem queria voltar a ser aquela pesquisadora incansável, professora mais que dedicada, coordenadora atenta... bem, talvez só por uma semana, para me dedicar a todos os projetos que idealizei nas férias.

Bem, as férias, bem, as férias... estranho ser justamente nas férias em que me vem essa necessidade de ser a trabalhadora de antão... ou seria antanho... ou então, não seria... seja lá como for.

O fato é que Pemba é uma experiência existencial, assim como os Makua, os Makonde, o Georges e a Emmanuelle (abaixo, os dois dentro do Land Cruiser quarentão, principal meio de transporte),


a Susana, o El Pirata, o Saïd e todos os outros com nomes muçulmanos que nem com muito esforço eu consegui memorizar.

Mas ainda foram férias, com F maiúsculo. E, Mila e Olga, please, não soltem demais a imaginação nesse F... é F de férias, de fantástico, de fora de série, de fenomenal, de fiche oh pá, de feliz.

Os caranguejos também, é verdade. Aliás, inventamos a dança do siri moçambicano... eles devem ter respirado aliviados quando partimos, mas as tardes na beira mar nunca mais serão as mesmas, eles bem vão sentir saudade da nossa amistosa perseguição cheia de energia solar.

Aliás, Sonia vai adorar, a Flavinha vira e pergunta: Mas vocês ficavam o dia todo na praia, não faziam mais nada? Ao que eu respondo: é, na praia, até a hora do almoço, depois descansávamos na varanda,


junto com as formigas de um dos troncos que sustentava a casa, quando elas começavam a andar por cima de nós, voltávamos para a beira do mar, andar e ver se a maré estava vazando ou subindo, verifávamos se o mangal estava submerso ou à mostra, corríamos atrás dos caranguejos, sim, isso, uma das nossas atividades preferidas e, não, não havia lojas onde comprar nada, nem supermercado tem na cidade, só um mercado muito rústico, na porta das casas dos vendedores, além da cooperativa dos escultores de madeira.

A cara dela não dá para descrever, era como se eu estivesse falando do meu último passeio pelas crateras da lua, no rastro do Neil Armstrong.

Depois tinha o pôr de sol muito cedo, às 5h...

e, a seguir, a lua que ficou cheia cheia durante a semana e cor de laranja ao surgir no sábado. Jantar na ventania, que não parava de ventar, depois de 3 dias a gente já nem nota. E ir pra cama as 9h.

Sol na cara as 5h30, através do teto de macuti e da rede que cobria a cama na necessária e, às vezes, inglória, tarefa de afastar os insetos.

Abaixo, um dos caranguejos capturados num sequestro relâmpago e logo liberado por falta de caixas eletrônicos de onde obrigá-lo a sacar dinheiro. De toda forma, não acredito que fizéssemos muito com umas centenas de meticais, isso, se encontrássemos onde gastá-los.


A seguir, o Sebastian. Lembram do filme "A pequena sereia"? Pois é óbvio que eu não consegui pensar em outro nome para batizá-lo. Havia uma legião deles.



A lua e a dança do siri moçambicano vem na próxima. Já não consigo manter os olhos abertos.

domingo, 12 de junho de 2011

Coisas para fazer antes de morrer

Ainda procurando sobre o tal filme cujo título me escapou, encontrei um blog, ou algo que o valha, com um post com seguinte título: 50 coisas para fazer antes de morrer. E o que os 50 itens tinham em comum era, precisamente, estarem ligados a experiências com um fundo de multiculturalismo, com um deslocamento da sua rotina para algo em direção ao outro, para uma outra realidade. Lendo, comecei a pensar o que, daquelas coisas eu já tinha feito e o que, dentre outras coisas que eu tinha feito, poderia fazer parte da lista. Assim, seguem algumas das coisas que eu já fiz e acho que muita gente gostaria de ter feito ou de ainda fazer antes de morrer. Não vou pôr as 50 de uma vez, que não há santo que aguente! E pode ser que o teor mude à medida que a lista for sendo feita. Uma das 50 coisas que eu não pretendo nunca até morrer é ser previsível e sempre a mesma.

1 - assistir a um festival de música - Rock'in Rio 1991, no Maracanã - Santana, Joe Coker, Lisa Stanfield, George Michael, Egenheiros do Hawai, Elba Ramalho. Paralelamente, assisti a um Superbock Superrock no HardClub no Porto, com Xutos e mais alguns, foi uma linda noite refletida no Douro. E também, Rui Veloso cantando com Toquinho no Canecão, Rio de Janeiro.



2 - visitar o lugar onde nasceu alguém que você acha que mudou o mundo - não se pode dizer que foram exatamente onde nasceram, mas onde viveram e trabalharam como VanGogh e Cézanne (Aix en Provence), não sei se mudaram o mundo em geral, mas mudaram o meu mundo, meu modo de encarar a beleza retratada numa tela e depois, de volta, a beleza natural que inspirou várias daquelas telas.



3 - visitar um lugar onde algum fato mudou a história da humanidade - Cabo da Boa Esperança, onde estão os padrões de Fernão Dias e de Vasco da Gama; Ponta de Sagres, que deu nome à Escola de Navegação pela qual os portugueses mudaram o mundo para sempre; Foz do Douro, de onde saiu o navio que levou meu pai e, em outro momento, minha mãe para se encontrarem e se apaixonarem no Rio de Janeiro, onde nasci. OK, foi a minha história, mas o meu quinhão de humanidade depende disso, convenhamos.





4 - participar de uma cerimônia ou ritual próprio de um povo e/ou religião que não a sua - na verdade, neste caso, eu comecei muito cedo. Aos 6 anos de idade fugi de casa e fui assistir a um culto de uma Assembléia de Deus que ficava a uns 100 mts da minha casa. Foi uma experiência muito curiosa e inesquecível, sozinha tentando entender os códigos e condutas que não me eram nada familiares. Depois, um terreiro de umbanda na periferia do Rio, sensação de transgressão e uma certa apreensão. A seguir, cerimônia de Shabat na Sinagoga de Lisboa, várias vezes, até criar intimidade e ser bem acolhida. Oferenda de comida e incenso em um templo zen-budista na zona oeste do Rio de Janeiro. Monges do Butão. Falta-me a mesquita, mas está na minha lista.

5 - mergulhar com as baleias... ai como eu queria!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Os deuses vendem quando dão



O DAS QUINAS
Os Deuses vendem quando dão.
Compra-se a glória com desgraça.
Ai dos felizes, porque são
Só o que passa!

Baste a quem baste o que Ihe basta
O bastante de Ihe bastar!
A vida é breve, a alma é vasta:
Ter é tardar.

Foi com desgraça e com vileza
Que Deus ao Christo definiu:
Assim o oppoz à Natureza
E Filho o ungiu.

Fernando Pessoa, em Mensagem

Vendem sim, sinto isto sempre que tenho que me mover entre meus afetos dispostos em tempo e espaço tão diferentes. Mas como "a vida é breve, a alma é vasta", passo a acreditar que quem tem razão é o brasileiro Vinícius de Moraes que me diz que seja eterno enquanto dure. Ou seja, que toda a felicidade seja assim e todos os momentos mágicos, mas só eles... não suportaria ter uma tristeza com sensação de eternidade.

Este choque também tem a ver com os diabólicos fusos horários de 5h entre Madrid, Rio e Novosibirsk. Desta última, o pôr de sol... 10 horas antes.


segunda-feira, 4 de abril de 2011

Da Rosa dos ventos

Como hoje é segunda e o fim de semana não me foi suficiente para recuperar a energia necessária para começar esta semana, fui buscar ânimo no quintal da Rosa, senhora dos ventos e, sobretudo, dos gatos. Quem resiste a um olhar como este, da sua gata Nina? A origem da foto e sua autoria estão aqui.

Saudade dos meus gatos!

quinta-feira, 24 de março de 2011

Cultura? Civilizados? Quem?

Estava lendo no Jornal do Brasil - excelente jornal que, por razões econômicas teve que se manter em formato online, apenas - o Carlos Eduardo Novaes. Talvez só quem tem mais de quarenta e viveu no Rio de Janeiro seja capaz de se lembrar e entender como esse jornalista ajudou a elaborar o pensamento crítico (e o humor ácido) de algumas gerações. Voltando à minha leitura, encontrei um texto que ilustra um olhar crítico e muito realista sobre a intevenção militar na Líbia. Vejam só:

Uma pergunta que pinga tal uma goteira na minha cabeça foi repetida por um jornalista do inglês Independent: Quem vai para o trono quando Kadafi cair? A confusão que se estabeleceu na Líbia desde o primeiro momento vem da ausência de uma oposição minimamente organizada. Os líbios deviam imaginar que Kadafi fosse eterno porque nesses 42 anos de tirania não cuidaram de desenvolver um plano B para depor o ditador. Nessas circunstancias quando o treinador americano tirar Kadafi de campo e olhar para o banco não encontrará ninguém para seu lugar. Não sei se as forças da Coalizão já pensaram a respeito, mas desde já proponho que botem um anuncio no melhor jornal da Líbia: “Procura-se – cidadão líbio para governar o país. Exigimos tempo integral, inglês fluente e capacidade para organizar eleições democráticas. Oferecemos apoio militar e financeiro do Ocidente. Enviar currículo com pretensões salariais para coalizão@ bombardeio.com. un. Não é necessário experiência em petróleo.

Agradeço ao Novaes, cuja postagem pode ser lida na íntegra aqui, por ter definido em palavras um mal estar que deve estar acometendo não só a mim, mas a muita gente comum e leiga como eu.

sábado, 19 de março de 2011

O rio, o sol e os sentidos







Acho que dá para entender a razão de não haver compensação possível para a falta que isso faz.