segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Mais de um ano

Mais de um ano... sim, m-a-i-s-d-e-u-m-a-n-o! Caramba!
Explico: eu tinha perdido a senha, nao lembrava o email que me identificava e para recuperar eram tantos dados que eu já nao sabia ou nao lembrava que fui ficando tensa e cada vez mais tensa sempre que tentava e frustrada. E todos sabemos que frustração nao combina com solução, principalmente se for frustração informática...
Alívio total, hoje, noite frouxa e vaga, Convento da Provença, Ribeira de Nisa, Portalegre... a sala parece quase de um museu. Cheia de armaduras e pequenas estatuetas em pedra. Restos. Restos dos frades. Restos dos guerreiros. Restos dos restos de amores entre um bispo e uma mulher qualquer, que naquele tempo, há uns 3 séculos ou quatro, mulheres nao tinham títulos e nem nomes que permanecessem. Eram só a mulher de alguém, neste caso de um bispo rico. Outros tempos, eu sei. Mas aí, neste ex-convento e neste ex-verao que nao quer despedir-se e insiste, com sol, céu azul e termômetros dando os 27 graus ao sol. Sim, feriado de finados ensolarado. Sim, é tudo nesta Europa pré-invernal.
E aí, gente à toa e relaxada acaba conseguindo o que quer. Andei futucando os emails e descobri como entrar. Espero nao esquecer mais. Que nó!


domingo, 26 de julho de 2015

Raro, em espanhol, é o mesmo que estranho, em Português

Cinco coisas que podem soar estranhas quando você anda por Espanha

1. Eles pedem desculpas se o filho tem que tocar piano ou violino as 18h. Ainda se considera técnicamente hora da siesta. Mas acham normal o vizinho de cima bater portas, arrastar cadeiras e ficar meia hora aos berros com os filhos, entre ofensas e palavrões, às 23h.

2. Você pode encontrar opções vegetarianas nos menus de alguns restaurantes, ainda que muitas dessas opções vegetarianas incluam: atum, caranguejo e/ou jamón. Quando você pergunta ao garçon a razão de serem consideradas vegetarianas, ele olha para você com ar incrédulo e responde: Porque não tem carne, evidentemente!

3. É normal a sua amiga esperar a familia para almoçar com comida fresca. As 14h, chega a filha que sai da faculdade as 13h e tem que estar de volta as 16h; as 15h30, chega a tia chegada que não está comendo carne e sim pescado grelhado; e as 16h30, chega o marido faminto que adora a comida dela fresquinha. Quando você fala com ela no dia seguinte, ela diz que a vida dela não tem nenhum sentido pois passou a tarde do dia anterior preparando diferentes pratos de comida fresca.

4. Eles adoram café com leite. No inverno, pedem para por o leite frio sobre o café quente. No verão, põem cubos de gelo. O café puro (café solo) é indispensável também o ano inteiro. No verão, com gelo; no inverno, com leite.

5. Quando um colega de trabalho faz aniversario, todos esperam que ele leve, pelo menos, um bolo ou uns doces para todos. Ninguém leva nada para ele.

Importante assinalar que o adjetivo "estranhas" é aquí usado por uma brasileira, filha de portugueses que já viveu seguidamente no Rio de Janeiro, Lisboa e Porto e há 4 anos vive em Madrid e perambula em cidades grandes e pequenas de Espanha.



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O exílio mais exílio

Estou chocada. Como se fosse de propósito com o nome do blog. Mas sinto-me de verdade, rara, como diriam os espanhóis. Não sei bem o que fiz do meu último ano. Este ano par que foi tão raro. Talvez eu deva me contentar com os ímpares, como o do meu nascimento, e resignar-me nos pares, quietinha no meu canto, que não têm se revelado lá grandes coisas. Mas, como a gente não deve recusar nem desdenhar das dádivas que a vida traz, um ano deve ser tão bom quanto outro e encerramos essas coisas de superstição ou lá o que seja.

Sigo no exílio mais exílio. Sim, o mais deve-se ao fato de que, embora Lisboa possa ser considerada exílio, pra mim quase não é. Digamos que sobretudo nos dias de chuva e vento. Nas horas mortas em que os portugueses insistem em ficar fechados em casa. Ou quando bloqueiam a ponte Vasco da Gama para alguma corrida de domingo.

Pois. Então o que é mais exílio para uma carioca é viver no planalto central, com neves na serra e uma secura na terra que se alastra para a alma e não sai de lá.

Não, meus amigos brasileiros. Este planalto central não fica no Hemisfério Sul. Não tem vizinhança com a Chapada dos Guimarães, nem essa terra vermelha na cidade de Brasília da qual a minha amiga Monica tanto gosta. Este Planalto Central está no centro da província de Castilla-La mancha. castillalamancha, diga rápido, 'nueve meses de invierno y tres meses de infierno'. Pronto, já papagaiei o vizinho mal-humorado do outro prédio onde morava.

Ah, sim, já estou no segundo endereço no meu exílio mais exílio e ainda não sei quando e se vou voltar. Bem, que volto, volto. Amparo-me em Gonçalves Dias, dentro do seu barco, atracado em São Luis do Maranhão. 'Não permita Deus que eu morra, sem que volte para lá/ Sem que ainda aviste as palmeiras onde canta o sabiá'. Isso se os políticos das diversas cores que infestam o congresso do Planalto Central não lograrem aniquilar de tal forma a Terra de Vera Cruz que eu desista de voltar de vez.

Bem, escrever tem um caráter claramente terapeutico para mim e, como não quero que a terapia seja unilateral e se alguém ainda andar por aí passeando em blogs ao ponto de chegar a ler-me, deixo por aqui o meu caráter, seja ele bom ou mau e vou tentar me agarrar nas nesgas de sol desta tarde para voltar a uma vida que me pareça conhecida.

Deixo aqui minha visão de um indescritível pôr de sol na Avenida O'Donnel, no exílio mais exílio.

 

segunda-feira, 17 de março de 2014

Rio de Janeiro, ficção e realidade

Pois é, voltemos aos choques... Nem preciso completar, pois são sempre culturais, mesmo quando pensamos que de outra natureza. 

Tive mais um, hoje, há pouco, além dos que já tinha tido desde que acordei.

É aquela sensação de que alguém está pintando a sua casa com uma tinta que encobre a cara real da casa e deixa-a parecendo um filme que você, decididamente, não reconhece. Ou, que de tão poético, faz parecer uma benevolência com aquilo que estamos carecas de conhecer. Mas uma benevolência que leva o leitor para uma posição assim de "vôo de águia", vista superior, em linguagem de desenho e geometria, mas que não se mistura e beira um pedantismo que só pode perceber quem conhece bem o objeto descrito.

Convido os meus dois ou três leitores a dar uma lida num texto de indiscutível valor literário e, depois, a lerem a resposta que dei em forma de comentário lá no blog onde se encontra o texto.

É mais um desabafo, isto, pois a verdade é que há que assumir que os nossos olhos estão inevitavelmente contaminados por nossa história e somos, em certa (ou grande) medida, reféns da vida que vivemos antes e durante as nossas experiências de mergulho em outras culturas.

A seguir, colo o meu comentário, pois, no meio de tanta purpurina, há realidades que há que reconhecer, que não têm que ser melhores ou piores que a ficção, mas que são diferentes e nem por isso hão de ter menos valor. À ficção que se assuma como tal, e à realidade que siga para o seu destino.

Alexandra, gosto muito da sua escrita, mas tenho que discordar de algumas coisas, normal, o amor não tem que (nem deve) ser uma concordância absoluta.
O seu olhar é o do europeu e juro que o paradoxo carioca é indecifrável para alguém que cresceu sob o manto da CEE/UE ou seja lá como venha a chamar-se.
A classe média de que fala, que vai às churrascarias caríssimas é, na verdade, classe alta e é com quem os europeus gostam de se relacionar, pois a classe média, de onde provêm, em geral, os professores, segue sendo cada vez mais achatada e ignorada nos planos de governo do PT ou nas políticas populistas do mesmo governo. A classe média não é cool, nem faz poesia, nem dança funk, por isso, não tem interesse para os olhos europeus que buscam, como os viajantes do século XIX o exotismo e o mito do bon sauvage.
A classe média, como os garis e tantas outras profissões do dia-a-dia, é transparente e invisível aos olhos dos europeus e também aos olhos dos conterrâneos brasileiros.
Solidarizo-me com os lixeiros e garis, sobretudo quando vejo como trabalham os lixeiros e barrendeiros aqui de Madrid. É preciso ter nascido e crescido no Rio e tê-lo deixado pra trás várias vezes em direção ao Norte, para solidarizar-se com tudo que constitui essa cidade.
E Luis Eme, o Rio merece não uma, mas muitas visitas. Seguro que o teu Casario do Ginjal está repleto de temáticas que ias ver refletidas por lá.
E sei, Alexnadra, que vai morrer de saudade das Laranjeiras/Cosme Velho, da feirinha de sábado e dos bolinhos de bacalhau que o garçon traz lá do bar mais acima pra comermos no meio da praça entre goles de chopp com amigos e muita filosofia.
Desejo-lhe sucesso, sempre!

sexta-feira, 7 de março de 2014

Gente



Gente é super interessante!

domingo, 28 de julho de 2013

O Papa (Francisco) é pop






Eu peço a vocês que sejam revolucionários, que vão contra a corrente; sim, nisto peço que se rebelem; que se rebelem contra essa cultura do provisório que, no fundo, crê que vocês não são capazes de assumir responsabilidades, que não são capazes de amar a verdade. Eu tenho confiança em vocês, jovens, e rezo por vocês. Tenham a coragem de “ir contra a corrente”. Tenham a coragem de ser felizes!"

Papa Francisco


Definitivamente, há uma nova era no ar. Um homem da idade dele que fez uma maratona desde terça-feira, chega ao fim do dia de hoje com esse sorrisinho de garoto no rosto e ainda faz o discurso acima - que foi, juntamente com a foto, retirado daqui - só pode ser especial. Desde quando,  um legítimo representante da tradição judaico-cristã de culpa e sofrimento incita as multidões a serem revolucionárias e felizes?

Mas também, com o nome que escolheu, tinha que ser. Os "Joões" e os "Bentos" que me desculpem, mas depois daquele outro, descalço, de Assis, ficou difícil ser especial.

E só tendo nascido no Sul - com toda a carga socio-economica que existe na oposição Norte-Sul - para saber, com tanta naturalidade, carregar esse nome.